'Nova velha' CPMF derruba secretário da Receita

Bolsonaro pede a Guedes a cabeça de Cintra por conta de divergências sobre a Reforma Tributária, que sequer foi apresentada

Por MARTHA IMENES

Marcos Cintra, árduo defensor da CPMF, foi exonerado ontem
Marcos Cintra, árduo defensor da CPMF, foi exonerado ontem -
Rio - As divergências sobre um imposto nos mesmos moldes da CPMF, inclusive com a tributação de igrejas, acabou derrubando o secretário da Receita, Marcos Cintra. Apesar de a Reforma Tributária do governo Bolsonaro não ter sido divulgada, interlocutores do governo, inclusive o ministro da Economia Paulo Guedes, têm falado sobre a recriação da CPMF. Esta semana, Guedes afirmou que o novo imposto, que não se sabe ao certo o nome (Contribuição sobre Pagamentos ou Imposto sobre Transações Financeiras), permitiria ao governo arrecadar R$ 150 bilhões em um ano.
Fato é que o assunto "nova CPMF" foi colocado de lado. Nesta quarta o presidente Jair Bolsonaro, ou seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ)- que agora administra as redes sociais do pai - fez alarde no microblog Twitter sobre a demissão de Cintra. O presidente afirmou ter determinado que fique fora do projeto para Reforma Tributária "a recriação da CPMF ou aumento da carga tributária".
Bolsonaro ainda disse em outra rede social, o Facebook, que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Reforma Tributária "só deveria ter sido divulgada após o aval do presidente da República e do ministro da Economia".
Já para o presidente em exercício Hamilton Mourão a demissão se deu porque a discussão em torno da criação de um imposto nos moldes da CPMF se tornou "pública demais", e não devido à proposta em si. Mourão disse que Bolsonaro não tem uma "decisão" sobre o imposto.
A permanência de Cintra se tornou insustentável diante das reações negativas do Congresso à antecipação da proposta de criação da contribuição sobre Pagamentos, que teria alíquotas de 0,2% e 0,4%.
A recriação do imposto, ou a criação de mais um imposto, tem sido rebatida pelo presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), que afirmou que pela Casa o imposto não passa.  Seu correligionário, deputado federal Pedro Paulo (DEM-RJ), chegou a defender a demissão de Cintra por conta da criação de mais um imposto.

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